quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Caminho da Fé: Do sufoco à paz interior!. 6ª edição - Por Paulo Ribeiro - Recife (4º DIA )


4º DIA (06/12)– ÁGUAS DA PRATA – SERRA DOS LIMA 46,51 Km

Acordei em um belo domingo e fui atrás do meu café da manhã, mas não tive muita sorte em localizar um local próximo para energizar a máquina que iria dar propulsão a bike. Não queria perder muito tempo e decidi sair sem tomar café. Comi algumas bananas desidratadas que havia trazido e água. Organizei as coisas e aí começou verdadeiramente a minha habitual rotina.

Somente pela manhã percebi que o pneu traseiro estava com uma parte desfiando ou rasgando como preferirem. Acredito que na manutenção da véspera o mecânico não encaixou corretamente o pneu no aro e com a pressão ele começou a rasgar. Tentei manter contato com a bicicletaria que havia feito aquela “caca”, mas sem sucesso, o celular disponibilizado estava desligado, era domingo!

Decidi seguir viagem assim mesmo, isto já por volta das 08H, mais um dia de sol e belíssimas fotos. Sempre será assim neste grandioso Caminho, a equação perfeita, dia de sol=imagens inesquecíveis.

Após cerca de 31 km cheguei a Andradas, onde carimbei a credencial em um bonito hotel, almocei por indicação em um restaurante próximo, União, pedi um filet a parmegiana acompanhado de macarrão para energizar.

A meia porção que pedi foi bem servida. Senti-me bem deslocado, um cara de quase dois metros, sozinho, sujo de barro, com uma bike cheia de alforjes, pedindo almoço em um domingo de uma cidade pequena também não acho nada apropriado diria, acho que o ET de Varjinha seria menos bizarro.

Bem, era assim que me sentia. O joelho super inchado e com a ferida sem ter tempo para cicatrizar me fazia parecer um fugitivo do ano de 2012.

Depois de um picolé de fruta segui viagem até a Pousada da Dona Natalina após vencer a Serra dos Lima, a minha segunda serra do Gran Slam.

A Serra dos Lima se divide em parte 1 e 2, segundo duas garotas que vinham dela e com as quais obtive informações. Após vencer a primeira parte empurrando a magrela descansei em uma área construída e destinada para que caminhantes e ciclistas, por assim dizer, descansem à sombra de uma mangueira. Nesta área há um banco de cimento e vi que já haviam vários caroços de manga espalhados. Contentei-me com minha segunda laranja colhida em Vargem Grande.

Segui viagem e completei a segunda parte da Serra dos Lima.
Ao descer uma ladeira fui alertado por um dos homens que bebiam e jogavam sinuca em uma bodega que eu havia passado pelo local onde se carimbava a credencial. Perguntei se ali era a Pousada de Dona Natalina que logo confirmaram. Retornei e fui recebido pela própria Dona Natalina e seu esposo, ambos, muitíssimos cordiais e atenciosos. A pousada compreende ao menos quatro quartos, sendo dois com beliches e dois com cama de casal. Fiquei com uma cama de casal e usei o outro quarto para organizar as tralhas. Há ainda uma sala de jantar e uma outra salinha onde há uma pequena televisão de 14”.

Após o sempre esperado banho de final da jornada diária, fui com o esposo dela em seu fusca até uma parte mais alta próximo a um cafezal ligar para minha família e reportar que estava bem e que já havia parado de pedalar por aquele dia.
Depois já municiado do habitual saco com gelo fui assistir a final do brasileirão em que ocorreu o que todos já sabiam...
No jantar uma boa e farta comida caseira.

Após a janta, mais gelo no joelho e fazer um balanço de como foi o rendimento do dia e as expectativas para os dias seguintes. Reli relatos de outros bikers além do guia do Olinto. Calculei que nos próximos dias deveria cumprir uma meta maior de pouco mais de 50 km para ter possibilidade reais de completar o percurso até a sexta-feira (11/12/09). Tinha consciência que seria bem difícil com aquele joelho inchado e lanhado, mas deveria seguir em frente até onde eu achasse que teria condições para tal. Detalhe é que pouco antes de chegar à pousada começou a chover e até então assim se mantinha com uma boa quantidade de água. Resignado com o dia chuvoso que se anunciava fui dormir.