quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Caminho da Fé: Da realidade às primeiras provações. 3ª edição - Por Paulo Ribeiro - Recife


2º DIA – CASA BRANCA – VARGEM GRANDE (SERRA DA FARTURA) 42 km

Depois de uma bela noite de sono, uma noite de um garoto que está em plena Disneyworld com todos os parques temáticos a sua espera, acordei cedo e comecei a organizar as tralhas. Acredito que durante este tipo de jornada, o senso de organização há de se desenvolver bem. Tomei um bom café da manhã, mas nada comparado à janta da noite anterior. Tirei algumas fotos com a D. Maria e na Rádio Difusora que fica na área do Santuário.

Do Santuário posso dizer que é bem legal, área bastante ampla, bastante arborizada com o verde predominando. Logo na entrada há uma espécie fonte/bebedouro em que podemos repor nossos estoques de água.

Mas vamos ao que interessa, como se pode ver o dia não amanheceu legal, chovia bem e o céu estava bem cinza, providenciei cobrir os alforjes traseiros (excelentes na praticidade) e o alforje do guidão, este com um clip que se revelou bastante resistente.

Logo na saída da cidade passamos por dentro de um horto muito lindo e com o tempo chuvoso fica mais úmido ainda. É bom lembrar que toda a vegetação que encontrei é bem diferente da região litorânea onde moro e até de zona da mata e agreste mais próxima. Nada de comparações de mais bonito, ou melhor, mas diferente do que eu costumo ver.

Depois atravessei uma rodovia e entrei numa outra trilha logo à frente.

Neste trecho percorremos um extenso laranjal que margeia uma rodovia. Nesta parte fato que me incomodou bastante foi que tive que atravessar uma colônia de aranhas que tranquilamente e durante quase cem metros trançavam suas teias exatamente na trilha que tive que passar. No início percebi que havia passado no meio de algo que mais parecia uma linha, depois mais atento, percebi o que havia a frente. Eram algumas dezenas que acredito pelo estado da trilha de pouco uso naqueles dias se estacionaram ali. Ora eu descia da bike e abaixado passava por baixo ora eu levantava a bike e colocava a magrela contra as teias como se fosse um cavalo empinado. Acho que ainda encontro algum resquício de teia no meu capacete tamanha resistência do fio, se as terras fossem minhas eu as aproveitaria para industrializar o fio.

Mas não suficientemente, lembrando-se sempre que neste dia choveu o tempo todo, ainda perdi um pouco de tempo, pois inconscientemente, desviei um pouco do caminho em razão de que, como pode ser visto na foto abaixo, a trilha estava coberta pelo mato e só havia uma plaquinha a uma distância razoável. Acredito que o proprietário colaborou com o Caminho ao deixar que transitassem em sua propriedade, mas não é um entusiasta da idéia. Menos mal foi que aí eu pude pegar umas três laranjas para um futuro lanche. Como último infortúnio (desse trecho), havia caído o guia do meu querido amigo Antonio Olinto, “Caminho da Fé”, que era o meu Google maps daquela jornada, sorte que eu o encontrei retornando um pouco nesta mesma trilha da foto abaixo, já devidamente molhado e melado de barro.

Depois desse terrorismo psicológico, chegaria novamente à rodovia e seguiria por um trecho de 6 km de asfalto.

Nesse trecho, só tive como incômodo a minha buzina, que de tanta água que tomou, começou a tocar ininterruptamente, resultado, tive que desligá-la definitivamente.
Adentrando em uma nova trilha, à esquerda da rodovia, foi quando me deparei com um dos momentos de maior aflição, depois de belos trechos de interação com a natureza apesar do mau tempo constante.

Lindas não!? Mas animais silvestres seriam uma constante durante o caminho. Duvido que de moto se conseguiria esse feito.
Mais à frente, depois de passar por uma porteira, adentrei em uma propriedade em que a passagem estava bem servida de bosta de vacas, inclusive, quando eu entrava fui recebido por um grupo delas mas que ao me verem saíram correndo em sentido contrário, será que eu estava tão horrendo assim!?

Mais à frente o terreno começou a ficar totalmente alagado, não era mais poças e sim a água barrenta tomando de conta, a essa altura eu já havia descido da bike faz tempo, pois não há nada mais humilhante que perder o equilíbrio e cair em cima de um bosteiro, não há moral que não despenque junto.

Olhando em volta nenhuma seta ou placa, só pude perceber que havia sim um rio que transbordara e que havia uma passagem submersa e era por lá que eu deveria seguir, analisei o cenário e decidi seguir em frente com muito cuidado e já pensando num plano B se algo desse errado, mas felizmente tudo correu bem e cheguei do outro lado.

Segui continuando o Caminho.

Mas o dia seria de “grandes emoções”, em uma das diversas descidas perdi o equilíbrio ao bater numa vala e fui graciosamente ao chão. Saldo:

C O N T I N U A A M A N H Ã (17-12-09) Não percam!



Relato de outro Peregrino/Cicista: por Gilmar Duarte da Equipe Pedal Leve Team aqui!