sábado, 19 de dezembro de 2009

Caminho da Fé: Das primeiras provações à dura realidade. 4ª edição - Por Paulo Ribeiro - Recife

2º DIA (2ª parte)– CASA BRANCA – VARGEM GRANDE(SERRA DA FARTURA) 42 Km

Segui continuando o Caminho.

Mas o dia seria de “grandes emoções”, em uma das diversas descidas perdi o equilíbrio ao bater numa vala e fui graciosamente ao chão. Saldo: o lado esquerdo do rosto com algumas escoriações e um calombo no malar e o joelho direito bem ralado se destacando por uma ferida em vermelho vivo, felizmente minha magrela tava inteira.
Não esperem ver fotos dessa mazela!

Não suficientemente...tavam achando demais!? Já dentro da cidade de Vargem Grande, eu estava em uma avenida digamos que principal, quando avistei um veículo que saía de uma rua perpendicular, eu parei porque já havia sofrido muitas emoções naquela manhã, mas ele parou também, posso garantir que então prossegui quando ele também prosseguiu e instantaneamente parei e ele também! Então decidi é comigo mesmo e fui em frente e ele TAMBÉM! E me pegou no lado direito da roda dianteira e me derrubou quase que me arrastando. Que susto!! Ele parou e desceu assustado, ele um cara de vinte e poucos anos, já pedindo desculpas alegando que não havia me visto pois o veículo, uma espécie de pampa, tinha película no vidro e como chovia estava fechado e embaçado.

Minha reação foi de pensar que ele havia se irritado com minha indecisão e decidido ir em frente de toda forma, isto seria bem normal no trânsito de uma cidade grande, principalmente se fosse um táxi, motoboy ou ônibus, mas ali ficaria surpreso. Ele queria me levar para um hospital pois deve ter pensado que meus ferimentos seriam em razão daquela queda. Analisei primeiro a magrela, pois não sentia nenhuma nova dor, e decidi seguir em frente, não sem antes perguntar a ele como seria se eu fosse um outro veículo ao menos do mesmo porte que o dele.

Aos sádicos não esperem fotos desse mais novo infortúnio.

Finalmente carimbei minha credencial em uma pousada que fica na área de um posto de gasolina, tentei manter contato com a Pousada de D. Cidinha mas sem sucesso (é claro!). Consegui novos sacos plásticos para proteger o alforje de guidão e uma pochete em que carregava meus documentos pessoais e ferramentas para bike.
Segui viagem até a Pousada da D. Cidinha, teria que vencer a Serra da Fartura, uma das “grand slam” que fazem parte do Caminho.

Não precisa dizer que desci da bike diversas vezes, com o joelho esfolado e a estrada escorregadia não me furtava em evitar novos tombos, seja nas descidas mais “casca grossa” ou nas subidas em que se via apenas o céu.

Cheguei por volta das 15h na Pousada, fui recebido pela sua nora Janaína, muito simpática, me ajudou a lavar a bike, recebeu as roupas que ofereci para lavar e ainda me forneceu remédio para o ferimento e por fim me instalou no quarto destinado aos peregrinos em que há vários beliches e um banheiro.

Lá eles possuem uma micro empresa que se produz de tudo, desde leite a queijos e produtos hortigranjeiros, outra informação bastante legal é que eles possuem uma bomba d’água que serve para lavar os carros com bastante pressão e rapidinho a magrela ficou limpa.

Depois de um maravilhoso banho quente, chegaram D. Cidinha e Seu Chiquinho das compras, muito falantes e receptivos trocamos diversas informações e opiniões sobre os mais variados temas. Tomei uma pinguinha caseira insistentemente oferecida. Mostrei a eles o guia do Antonio Olinto, meu guru do cicloturismo, em que sobre Vargem Grande fala também sobre a calorosa recepção também recebida quando de sua passagem por lá. Este mesmo guia foi para os fundos da geladeira secar da queda no laranjal.

Saí para uma área onde se tinha uma bela vista do vale, que servia como sala de estar da pousada, onde há uma geladeira com diversos tipos de bebida, uma televisão e os livros em que podemos deixar o registro de nossa passagem por lá. Li alguns bem interessantes.

Fui para meu quarto, colocar gelo e remédio no joelho, D. Cidinha ainda me forneceu Cataflan. Sorvi prazeirosamente uma das laranjas que peguei no laranjal das aranhas. Depois de descansar um pouco, jantei novamente como um mamute, mas dessa vez não tinha cavalinho na mesa, além de mim. Ainda comi um delicioso doce de abóbora (jerimum). Depois de mais alguma prosa me recolhi para descansar. Nova jornada me aguardava no dia seguinte.