sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fair Play no MTB 12 HORAS! É possível isso?


O Fair Play está claramente vinculado à ética no meio esportivo. Suas inter-relações com o comportamento considerado exemplar por um ciclista dentro e fora de um circuito Cross Country se tornam cada vez mais incisivas.

Antes, vamos entender melhor os termos:

Fair Play, o que vem a ser isso?
Durante todo o século XX, a sociedade ocidental e o esporte passaram por inúmeras transformações. Foi na sociedade aristocrática que surgiu o conceito de “fair play”, difundido pelo Barão Pierre de Coubertin idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. O “fair play” defendido por Coubertin representa a honra e a lealdade, o respeito pelos outros e por si próprio. Estes valores refletem o pensamento da aristocracia inglesa do século XIX a respeito das práticas esportivas.

No entanto, que a influência do marketing e da mídia pressionando os atletas por melhores resultados gera na mente de treinadores e esportistas o pensamento de vitória a qualquer preço, culminando na utilização de meios ilícitos, tais como o doping, a manipulação genética, processos de naturalização, entre outros, quebrando assim, os princípios do jogo limpo.

Cross-country ou XC: É a prova disputada em um circuito fechado, em que os competidores devem completar um certo número de voltas para terminar a prova. Em algumas competições internacionais essa modalidade é chamada de XCO (Cross-Country Olímpico), tendo que obedecer alguns parâmetros técnicos como comprimento da pista e quantidade de voltas. É geralmente em trilha fechada, mas pode ter trechos de estrada de terra também e em alguns casos chega a ter trechos curtos de asfalto.

É possível praticar o Fair Play no MTB 12 HORAS?
Ao se considerar que são uns 350 atletas inscritos, provavelmente metade dos ciclistas estarão no circuito ao mesmo tempo, com velocidade média e objetivos diferentes, dependendo se estão na categoria solo, duplas ou quartetos.

Um biker solitário sabe que tem que ser constante e rápido, embora tenha que dosar seu esforço para completar às 12 horas chegando à frente dos demais.

Em dupla, cada competidor não poderá esquecer que qualquer excesso poderá levar o companheiro a ter que pedalar sozinho por muitas voltas, caso um deles, sofra uma queda ou perca rendimento.

Nos quartetos, a regra é dar tudo de si em cada volta, ou seja, “pedal em baixo”, giro alto e ousadia ao extremo.

Sai, sai, sai...
Uma das mais odiadas frases, pode sim ser evitada, bastando seguir, segundo visão do Professor Arnaldo, modesto competidor, que explana algumas atitudes básicas:

O biker veloz:
• Avise cortesmente que está próximo do biker a ser ultrapassado.
• Informe de que lado pretende fazer a abordagem.
• Aguarde o momento mais adequado, lembre-se de que cada um tem metas diferentes.
• Agradeça ao ultrapassar.

O Biker Mediano
• Proceda os mesmos passos do Bike Veloz, lembrando que em quase todas as categorias as maiores “feras do MTB” estão presentes, e você está ali mais pelo amor ao esporte e paixão por competições, do que qualquer outra coisa.
• Então, o Fair Play deve ser sua regra nº 01, ou seja, antecipe-se e abra espaço para o biker veloz.
• Ao ser ultrapassado deseje-lhe boa sorte, deixa um clima bom, mesmo sob o calor da disputa.

O Biker lento (Professor Arnaldo):
• Na largada ao estilo “Le Mans”, deixe aos mais rápidos, a primazia de tomarem suas posições;
• Ouvido atento, ou seja, ao escutar ruídos de um biker veloz, poste-se de uma maneira no single track, de modo que o competidor possa seguir sem maiores sustos.
• Colabore com aqueles que tenham algum problema mecânico, pois somos todos amigos e parceiros em muitas das competições da temporada.
• Dirija palavras de incentivo a aqueles que porventura estejam passando mal durante suas voltas. Um estímulo pode ser o suficiente para tal biker concluir a volta e passar o “bastão” algo seguinte companheiro.
• Cumprimente a todos aqueles que te dirijam a palavra, educação é sempre bom e sempre cai bem, quero dizer sem quedas, por favor.

Adriana Nascimento: a Rainha do FAIR PLAY!
Lembro-me de que no SRAM 50 K, promovido pelo Sambabikers, a categoria Elite Feminina, largou no final do pelotão. Então, a menos de um quilômetro começou um single track e um incrível congestionamento havia se formado, pois mais de meia centena de bikers estavam participando. Aí...

− Por favor, sou da Elite Feminina; assim que for possível vocês poderiam dar passagem – disse educadamente Adriana Nascimento, uma das maiores feras do MTB da atualidade.

E não deu outra: dezenas e dezenas de bikers aturdidos pelo modo educado da grande campeã, atiravam-se com bike e tudo barranco abaixo, num Fair Play coletivo, que me deixou feliz por ser apenas um deles, entre tantos outros com a mesma disposição.

Portanto, lembre que nossa querida Adriana Nascimento, estará presente no MTB 12 Horas e se ele pratica entusiasticamente o Fair Play, nada melhor do que nós irmos pelos mesmo caminho.

È ou não é?