sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A bike, o corpo, a mente > Por Claudia Franco

Iniciei a prática do mountain bike há um ano. Após dois meses de ter iniciado no esporte participei pela primeira vez de uma competição.

Na época meu objetivo era bem maior participar de uma competição que iria ocorrer dali a seis meses entre a Patagônia Argentina e Chilena. Esta primeira competição tinha como objetivo a minha familiarização com o ambiente de competição e também perceber como seria o meu desenvolvimento.

Na oportunidade pude testar tudo: testei a minha bike, a minha roupa, o meu físico, o meu fôlego e principalmente a minha mente.

Não importa o número de atletas participando da competição e se você está participando com uma equipe, o mountain bike é um esporte muito solitário. Em muitos momentos, durante a competição fiquei complementa só na trilha, apenas ouvindo a minha respiração, o barulho das engrenagens da bike, o som da natureza e principalmente o meu pensamento.

Milhões de pensamentos e sentimentos borbulharam e os desafios começaram aí, não na dificuldade da trilha, no corpo, no condicionamento físico ou no meu equipamento, mas sim na minha mente.

O maior desafio foi controlar os pensamentos que me mandavam desistir, que me faziam sentir pena e dó quando a dor aparecia, quando o cansaço parecia extenuante. Todos estes pensamentos só me diziam: Esta na hora de desistir.

Além disto, contava com a torcida dos atletas que já estavam no caminhão vassoura*. Há poucos metros atrás de mim, gritavam: “Sobe logo aqui, faltam muitos kilometros, para que sofrer tanto?, tem certeza de que não quer subir aqui?
Neste momento de "solidão" você tem que encontrar forças e lutar contra você mesmo. Percebi que a competição não estava sendo travada com os outros atletas e sim comigo mesma, competindo com o meu emocional.

Foquei minhas energias e pensamentos em tudo aquilo que desejava e em bons exemplos para não sucumbir ao seu Maior Competidor: Eu mesma.

Lembro-me que me apeguei a imagem da atleta olímpica Gabriela Andersen-Scheiss, uma suíça, que nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 84, protagonizou umas das imagens mais espetaculares de toda a história do esporte mundial. Já fazia mais de 3 horas que a primeira colocada havia concluído a prova, a cerimônia de premiação já tinha acontecido, o estádio estava vazio, mas mesmo assim, Gabriela queria terminar a prova, queria cumprir seu objetivo. Ao final, completamente desidratada e desorientada pelo esforço no calor, se arrastou por toda a pista de atletismo até cair desacordada nos braços dos médicos sobre a linha de chegada.

Decidi que não iria desistir e já que não havia conseguido atingir um bom desempenho estabeleci que o meu objetivo seria chegar à reta final. Consegui, completei a prova e Venci o Meu Maior Competidor: Eu Mesma.


*Caminhão vassoura: Em toda prova de mountain-bike bem organizada que tenha um percurso mais longo, tem um caminhão que passa no final pra fazer o resgate de quem ficou pra trás. Costumam chamar isso de “caminhão vassoura”, porque vem varrendo a trilha pra pegar quem ficou no caminho.

Claudia Franco, paulistana, empresária, formada em administração de empresas e informática. Apaixonada por esportes e praticante desde os 7 anos de idade. Segundo ela, o que se tornou uma grande paixão foi o mountain bike que pratica há um ano.