sábado, 19 de março de 2011

Elaine Pichiliani no seu primeiro Ecomotion Pro


Há 2 anos fui convidada para participar de uma corrida de aventura e gostei tanto que não parei mais.

Corri quarteto, dupla e solo; provas de 35km, 50, 80 e 150km.

Já senti calor, frio, fome, sede; cansaço, dores insuportáveis e alegrias intermináveis.

Mergulhei em água gelada, remei em mar storm e cheguei ao cume, porque só o cume interessava.

Andei forte, mas também fui arrastada, rebocada, puxada e empurrada.

Já senti medo no escuro, tive crise de riso, crise de soluço, crise emocional. Rezei para encontrar o PC ou chegar no AT.

Varei mato como uma ogra, atolei em lama como uma porca; fiz a dança da chuva, mas também lembrei da Santa Clara, São Pedro, Santa Bárbara, São Longuinho, Santo Antônio.

Lembrei do bolo saindo do forno, da toalha branca depois do banho, do cobertor felpudo, no aroma de café.

Tentei voar na bike, atropelar no trekking, dar passos largos, saltos altos e tudo que recebi em troca foram cicatrizes que carrego até hoje.

Já gargalhei, sussurrei, gritei, mas chorei também.

Pensei nos 7 pecados capitais, tentei cantar faroeste caboclo, pedi ao menos 1 elogio; ameacei desistir, fiz chantagem, me arrependi de tanta coisa.

Fiquei presa no arame enfarpado, perdi o remo sem estar remando, falei dormindo, dormi falando.

Menti quando disse estar bem, discordei da hora de parar mas depois supliquei para descansar. Pedi ajuda, ajudei; dividi mas também pedi 1 pedaço; bebi água suja, quente, amarga, salgada. Ganhei várias remadas na cabeça mas também ganhei uma declaração de amor que fez eco, lá naquele túnel….quem ouviu ouviu.

Fiz xixi no mato, promessas às estrelas; fiz amigos, conheci atletas, aventureiros, competidores, loucos e todos apaixonados pela aventura.

Ganhei beijo, abraço, ganhei chocolate; troquei gel por água, sal por M&M, troquei 1 mochila pesada por 1 gatorade geladinho.Troquei 1 fds normal pelo melhor perrengue da minha vida. Gritaram meu nome na chegada, recebi boa sorte ao sair de casa, perdi, ganhei, terminei, fui filmada, fotografada e desclassificada.

Pensei em ser madame, imaginei uma rede, uma sessão de massagem.

Levei outra remada. Ah, também pulei cerca e era elétrica, 3 choques para esquecer de ser madame e voltar a ser ogra.

Vi uma capivara no lugar do duck e um urso fantasiado de Togumi.

Cada estrela era 1 pedido, cada pedido era 1 PC, cada PC era uma pergunta e todas as perguntas eram uma só: Falta muito?

Fui incentivada, parabenizada, ganhei troféu, medalha, ganhei machucados, cortes, roxos, além de bumbum durinho e uma pegada forte. E tem gente que ainda me chama de bunda mole. Mas de tudo que senti, que pedi, que agradeci, que vivi, uma coisa ficou marcada e ficará para sempre: a experiência de ter passado por tudo isso ao lado de pessoas incríveis.

Por essa experiência ter sido tão boa que eu resolvi querer mais. Graças a uma amiga muito especial que fui apresentada à equipe Olhando Aventura e daqui uns dias viverei outra experiência incrível que fará parte da minha vida.

E que venha o Pró, os índios, a Bahia, o mar, o calor, o tchan, o capeta….Olhando Aventura no Ecomotion Pró 2011!

Fonte: http://adventuremag.com.br