sábado, 28 de maio de 2011

Emblemático ciclista se recupera de acidente que o deixou numa cadeira de rodas

Enviado por Victor Hugo Romo em 27/05/2011 às 19:14
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"Esta entrevista é um relato humano sobre um atleta completo que logo após sofrer um acidente com sua bicicleta soube transladar todo o valioso de sua vida desportiva a uma cadeira de rodas."
O atleta espanhol Diego Ballesteros há alguns anos se tornou conhecido a nível mundial por traçar uma rota desde Zaragoza, Espanha até a inauguração dos jogos Olímpicos de Pequim. Tal percurso, que na sua totalidade somou mais de 12.800 quilômetros, deu origem a um documentário e a um livro que serviram como testemunhos tangíveis da força e convicção deste aclamado esportista.

Essa epopeia se tornou mais evidente quando há 6 meses um motorista imprudente o atropelou deixando-o com sérias lesões que o deixaram incapacitado para continuar praticando esporte tal qual o fazia. Depois de cirurgias, intensas terapias e o apoio de sua família, conseguiu recuperar-se, mas acarretando sequelas definitivas.

Tais lesões são as que hoje o mantem numa cadeira de rodas, mas que o ensinou muito mais da vida do que ele mesmo esperava. Ele deu a volta por cima e por causa de seu acidente, vê a vida com outros olhos, tanto assim que ele mesmo se pergunta: Como posso queixar-me? Como?

Poucos dias depois da alta ele concedeu uma breve entrevista a um meio de comunicação de seu país. Então, vamos à entrevista:
Diego Ballesteros, na cadeira de rodas depois de um acidente de bicicleta


"Como posso me queixar?"
A quanto tempo na cadeira de rodas?

Desde junho passado, quando sofri o acidente.

Que aconteceu?
Competia na Race Across América: pela primeira vez participava uma equipe espanhola, éramos quatro ciclistas...

Em que consiste essa competição?
Em cobrir 5.000 quilômetros de bicicleta, cruzando o Estados Unidos de oeste a este, mediante relevos. Na Rodovia de Wichitta, um carro me atropelou.

Por detrás?
Sim. Ainda que eu pedalasse por una faixa muito larga, um jovem de 20 anos se distraiu revirando do porta-luvas e me atropelou.

Que lesões você sofreu?
Eu avançava a 30 km/h, e ele, a 100 km/h: voei três metros, rompi as duas cabeças dos perônios, a cadeira, quatro costelas, duas vértebras esmagadas e duas vértebras quebradas.

Ufa!.
Não perdi os sentidos... Minha condição física de esportista me salvou, disse o médico.

A quanto tempo praticava esportes?
Toda vida: tênis, futebol, atletismo, maratona, escalada, esqui de travessia e, finalmente, bicicleta por longas distâncias.

Qual foi sua maior conquista?
Em 2008 pedalei 12.822 quilômetros em cem dias (128 quilômetros por dia), desde a Expo de Zaragoza até os Jogos Olímpicos de Pequim, em condições extremas.

O que foi mais difícil?
Uma ventania em Mongólia: ela me atirava nas pedras, me derrubava da bicicleta. Ou temperaturas de 51ºC na depressão de Turfan...

E o melhor?
Dormir debaixo das estrelas do deserto. E o carinho das pessoas pelo caminho. Fiz amigos para sempre, como Josan, que me acompanhou por dois dias; como León, que me hospedou em sua casa na Servia; como Mike, que pedalou a meu lado pela China... Chorei ao entrar em Pequim. Realizei meu sonho!
E com que sonha agora?
Com voltar a ser professor do instituto, casar-me, ter filhos... E rodar de bicicleta de três rodas, pedalando com as mãos.

Que dizem os médicos?
Uma negligência pós-operatória ali ocasionou isquemia da medula espinhal: morta até a vértebra cervical-6, meus músculos não respondem do peito para baixo.

Não existe recuperação possível?
Jamais moverei nem abdomem nem pernas.

E em que consiste a reabilitação que você fez no Institut Guttmann?
Me ensinaram a me valer por mim mesmo: me vestir, passar da cadeira de rodas ao vaso sanitário, me levantar do chão, superar obstáculos com a cadeira... Tratar-se de ser autônomo.

É duro?
Duríssimo. Incluidas umas paralelas para estar na vertical... ¡Mas é a melhor sensação do dia: voltar a estar de pé! E favorece a circulação sanguínea e combate a osteoporose.

Com que mais sonhas?
Passear pelo bosque, pelas montanhas do Pirineo de Huesca, perder-me entre as árvores do Somontano, procurar pelas setas indicativas... Porque na cadeira de rodas já sei que não poderei...

Como está seu ânimo?
Minha namorada foi muito importante, psicologicamente: depois do acidente, propus terminar nossa relação. Porém, me respondeu que ela estava apaixonada por mim, não de minhas pernas... E está ao meu lado! Conservar meu entorno afetivo foi decisivo.

Me dizia que querem ter filhos...
Sim, daqui há alguns anos, quando tenhamos assumido esta nova vida... Existem métodos de fecundação com meu próprio esperma…

Não pode ser mediante sexo convencional?
Sou flácido do peito para baixo. Existem medicamentos que podem me facilitar uma ereção, mas ao carecer de sensibilidade, fica impossível ejacular.

Que planos tinhas justo antes do acidente?
Cruzar Canadá de bicicleta, sozinho. Mantenho esse sonho, claro, pois tenho a ilusão de voltar a viajar, fazer esporte...

Como você se mentaliza para não cair em uma depressão?
Penso no agora, não no passado, e procuro que o presente seja o mais pleno possível. Agora escrevi um livro sobre minha viagem Zaragoza- Pequim, veja.

Você conversou com o rapaz de 20 anos que te atropelou?
Não quis vê-lo. Que diria a ele? Todos nós nos descuidamos alguma vez, Eu já o perdoei... porque, adiantaria ficar de frente a frente com ele, identificar a um culpado? Não acredito...

Você se arrependeu alguma vez por ter ido à Race Cross América?
Não. Porém de uma coisa estou certo: nada de competir com poucos meios, sem garantir ao máximo a segurança! Tem que ficar claro isso!

Caem muitos ciclistas na rodovia...
Sim. Por favor, motoristas: um ciclista pode incomodar, mas sua vida está em tuas mãos!

Até quando estará em reabilitação?
Já tive alta e volto a me instalar em casa, em Barbastro.

Como tens passado esses seis meses aqui?
Não estou tão mal: há companheiros de reabilitação com lesões cerebrais... ou medulares mais graves. Fiz um amigo, Alberto, paralizado do pescoço para baixo por um acidente: sua esposa acaba de lhe dar gêmeas, e ele... Ele daria tudo para poder acariciá-las... Como posso me queixar? Como?
VÍCTOR - M. AMELA // www.lavanguardia.com

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Por ser uma auto-edição, a distribuição é pequena, assim que, comprá-lo pela internet pode ser considerado mais fácil e cômodo.
Envie um e-mail a este endereço: expoolimpiadas@hotmail.es
28 € Aproximadamente.