terça-feira, 24 de maio de 2011

HAKA RACE ou BIG BIKER? Diário de uma insana por competições

Uma loucura? Uma insanidade? Um prazer, um orgasmo elevado a enésima potência? ELAINE PICHILIANI, assim mesmo, em maiúsculo, porque só assim para retratar o relato dessa mulher guerreira a "Nóis na Fita A TV":
Se não bastasse a 1ª etapa, Haka e Big no mesmo final de semana, a 2ª etapa também coincidiu e novamente a decisão foi tomada sem arrependimento: competir nas duas.


Na 6ª feira arrumei o carro e segui para Extrema com aquele friozinho na barriga e medo de correr na categoria Solo; 26 inscritos e eu a única mulher, e; dessa vez, decidida a encarar a prova sozinha.
Sábado, 9:00am e largada de trekking até chegar no rio. Fui umas das últimas a entrar na hidro, uma verdadeira banheira; duck murcho, sem encosto e alagado. Paguei todos meus pecados pois remei 15km ajoelhada e lembrei do Leo no briefing: “todos os ducks estão cheios”, claro, faltou a palavra: cheios de água! Terminou o remo, PC3 e trekking rumo ao rapel. Corri tranqüila, mas não quis ficar na cola das outras equipes e na 1ª bifurcação todos para esquerda e só eu para a direita. Após 10 minutos notei que não tinha ninguém atrás nem na frente, uma calmaria, as vacas ruminando e eu errando (gerúndio mesmo, porque foi um processo lento perceber o erro). Voltei tudo e fiquei para trás novamente.
Trekking forte até o PC4 e me perdi com alguns atletas, depois me perdi sozinha, me perdi com dupla mista, com dupla masculina, com atleta solo e novamente sozinha. Não queria depender dos outros mas estava começando a ficar chato esse negócio de não achar a trilha, até depois de bater cabeça, rasgar mato, ela resolveu aparecer, ufa!
Cadeirinha pronta e desci o rapel, subi novamente, assinei PC4 e mais um trecho de trekking até o PC5/AT. Essa hora estava concentrada, entendia o mapa, as referências e tudo certo até que a trilha acabou. E agora? Mas no mapa os traços continuam e porque aqui tudo some? Pedra de um lado, abismo do outro e onde está a trilha? Leooooo! Encontrei uma dupla mista e falaram que eu estava certa e continuei. Achei que próximo PC estava perto, mas fiquei preocupada com o horário do corte, mesmo faltando mais de 1h. Sério!
Parece exagero, mas eu estava decidida a correr, não sei se pelo medo do escuro, de me imaginar sozinha na trilha, perdida em algum lugar, mas eu queria chegar logo. Essa hora eu entrei num semi desespero pois a trilha não tinha fim e parei. Momento difícil, não dá para pensar muito, ou volta ou continua. Olhei para trás, depois para frente, olhei a hora, ah, claro, olhei a bússola também, e ela mostrava que estava certo, mas....Mulher é complicada: uma dúvida, lembrei na hora de escolher a cor do esmalte, a meia para combinar com a camiseta, os elásticos do cabelo, e era uma indecisão, mulher pensa muito, analisa as conseqüências, os resultados a curto prazo, se o investimento valeu a pena, se a estratégia foi correta, se o tempo calculado está dentro do prazo, se...se... Pensei rapidinho (quase 3 minutos) e decidi continuar na trilha e na curva para direita ahhhhhhhh!
Que susto! Que alegria! Alguém! Sim, um fotógrafo a paisana e isso significa que estava no caminho certo. Corri mais animada e cheguei ao PC5 e AT de bike. Transição rapidinha, bike e agora só mais 2 PCs e chegada.

A parte de bike foi tranqüila, mais descida, plano, uma ou outra subidinha para tomar água e encontrei duas duplas no meio do caminho. Entrada na trilha para PC 6, virtual, que podia ser chamado de esconde-esconde, pela dificuldade de ser encontrado; ou, pula-pula, pela altura que foi colocado. Mais uma Leo!
Trecho final de MTB e chegada durante o dia; sem corte, sem me machucar (tirando a parte da penitência) e feliz por ter completado a prova, na categoria solo, 11º. Lugar. Dessa vez sola mesmo, mas com meu anjinho da guarda ao meu lado durante todo o tempo.

Agradeço a todos que se preocuparam comigo: Chris, obrigada pela bússola e por não ter seguido sua estratégia, Vavá, escutar parabéns antes da largada só aumentou a minha coragem; Matheus se não fosse você estaria carregando a mochila + colete + Kit + cacarecos até agora; Ana, Juninho, super atenciosos, Capitão Fredy Guerra e toda e equipe Tendência Outdoor, Dario, Nescau, Vagnão, meu patrocinador e amigo Santo Feltrin, Débora e Marcão, ao chocolate quente mais gostoso oferecido pelo Doc, Tulasi e Rachel, as anjas da minha vida; Peixinha, Shê, Tati Chuleta, minha personal Stylist e para todos que acreditaram na minha coragem e torceram pelo meu sucesso e mais que isso, pela minha felicidade. Muito feliz é pouco!

Mas não acabou ainda.
Adeus Extrema, próximo destino São Luis do Paraitinga. A Débora me acompanhou, mas 30 minutos depois de entrar no carro, blackout, apagão. Cheguei cansada mas super disposta. Noite bem dormida, companhia nota 10 na pousada, café da manhã gostoso, uniforme, placa na bike e tudo pronto para a largada.

Domingo ensolarado, clima agradável e a cidade sempre receptiva com os atletas, mesmo depois da chuva que causou muito prejuízo aos moradores. A igreja ainda destruída me fez lembrar da fé. Fé em Deus e na vida. Fé e esperança. Diferente da coragem que tive no dia anterior dessa vez a palavra que definiu meu domingo foi: fé; confiança e convicção, acreditar e confiar em mim. Lembrei de um telefonema que recebi domingo bem cedo, que acalmou minha angústia e alimentou minha vontade de correr.

Categoria Sport, 67km, 10am e larguei mal. Muitas meninas me passaram ainda no asfalto, mas a prova só estava começando.
O começo de prova é sempre duro, ritmo forte, subidinhas curtas, falso plano, coração na boca e senti o joelho (da penitência), senti as costas (15km na hidro) e senti que estava na hora de parar de frescura e pedalar. Mesmo assim, demorei uns 20km para entrar na prova.

Quase na metade, passei pelo apoio e ali a corrida mudou. Os meninos da Pedal Power me deram caramanhola geladinha e senti uma vontade enorme de pedalar mais forte. Como é bom ouvir o nome, vai Elaine, Vai Gigi, pedala! Amigos incentivando, apoio de outras equipes ajudando e isso me motivou ainda mais. Perguntei o tempo que a lidera estava na minha frente e um amigo respondeu um pouco mais de 5 minutos e ainda falou; ela está inteira, pedalando forte, mas vai buscar. Acho que isso também me ajudou, porque naquela hora me senti bem e o que qualquer atleta competitiva sente, fazer o melhor, superar os limites e vencer.

É difícil explicar, mas parece que nas maiores dificuldades é quando encontramos mais força e determinação para superar qualquer adversidade. E foi isso mesmo. Esqueci das dores, do sono, do medo do dia anterior e comecei a pedalar feliz; conversei com outros atletas, fiz novos amigos, e a vontade de buscar a líder só aumentou. Independente do resultado, fiz o melhor que podia.
Passei uma líder, mas era de outra categoria e lá em baixo avistei outra camiseta amarela e 2 trancinhas e não tive dúvida, ali estava minha meta, Denise, mulher que pedala forte, viu. Perguntei se havia outra atleta na nossa frente e entendi que sim. Diferente da corrida de aventura, a decisão foi tomada em segundos, esqueci qualquer estratégia e decidi pedalar forte até o fim mesmo faltando mais de 30km de prova. Decisão insana! Não sei explicar, tem dia que a força vem, tem dia que ela vai, mas esse dia eu não estava só bem fisicamente, mas minha mente estava em harmonia com meu corpo, tudo fluiu bem e eu consegui manter o ritmo forte até o final.
Cruzei a linha de chegada sem saber o resultado e fui direto para o hotel arrumar mala, voltei para a praça e quando li a classificação: Campeã da categoria e 5º. Geral feminino (65 atletas).
Se eu fiquei feliz? Só quem me conhece de verdade sabe o sabor dessa vitória, não foi mais um Big, mais uma prova; foi a prova certa, a que eu precisava vencer e provar para mim mesma que a mente guia o corpo e quando eu estou bem, tudo fica bem ao meu redor.

E mais agradecimentos: Giovana, Dorinho, Pedal Power, Mag, Moço e todos que torceram por mim.

Ainda tenho fé que Haka ou Big mudem a data da 3ª etapa, se não, terei que ter coragem novamente.