domingo, 18 de agosto de 2013

A estratégia de Henrique Avancini o campeão da Etapa Congonhas da CIMTB

Crédito da bela imagem para Álvaro Perazolli.

Bela vitória hoje na CIMTB. 

Na sexta-feira terminei na terceira colocação no “desafio da Ladeira”, que foi disputado a noite e distribuía alguns pontos para o campeonato. 

Durante a semana não estava muito bem fisicamente. Voltamos do Canadá na quarta-feira e não me recuperei bem da prova de semana passada, com isso meu objetivo para a etapa era correr pensando no campeonato somente, sendo assim, eu tinha apenas dois adversários na prova: Pscheidt e Rubinho. 


Após a competição de sexta, amanheci com a garganta bem inflamada e durante o sábado fiquei bem preocupado com a prova de domingo e cheguei a pensar em não largar, pois não queria comprometer minha participação no Campeonato Mundial em duas semanas, na Africa do Sul. Na manhã da prova, amanheci melhor e conversei com meu parceiro de equipe, e defini minha estratégia. 

Como esperado, no começo da prova apenas segui o grupo e não fiz nenhum ataque. O Rubinho não se mostrava muito bem e o Pscheidt lançava ataques seguidos. Ficou claro que nós três que estávamos na briga mais direta pelo título nos preocupamos uns com os outros e isso abriu uma grande oportunidade para todos os outros e aliás muitas "caras novas" fizeram uma grande prova em Congonhas, como o Mario em segundo e Firmino em terceiro. Isso é maravilhoso pro nosso esporte! 

A vitória seria ótima, mas meu objetivo era ter o menor prejuízo possível e chegar para a próxima etapa na Bahia com possibilidades de conquistar o título da Copa. Mas com o decorrer da prova me soltei e percebi que eu era o mais forte do dia, mas em uma prova de maratona enfrentamos muitas variáveis e precisamos usar uma tática eficiente. Percebi que se eu atacasse os outros não conseguiam me seguir, mas de nada adiantava seguir sozinho fazendo força contra o vento sem ninguém para me ajudar. Sendo assim, comecei a deixar algumas fugas saírem e quando abriam uma diferença eu atacava, alcançava a fuga e ditava o ritmo. Essa era a possibilidade que eu tinha de formar um pequeno grupo a frente. Fiz isso algumas vezes. Até que em um ponto muito estratégico do percurso, o Cocuzzi e Montoya atacaram. Neste momento estávamos em um grupo muito grande e quando o Rubinho deixou eles abrirem, vi a melhor oportunidade de um ataque bem sucedido. 

Quando eles abriram quase 100m do pelotão, arranquei e os alcancei para ditar o ritmo. Entramos em um trecho de trilha e quando saímos em um trecho mais aberto revezamos, mas em poucos metros o Montoya perdeu contato, pois teve que parar e encher o pneu devido um pequeno furo. Segui com o Cocuzzi, mas logo na subida seguinte ele optou por reduzir ritmo e voltar o pelotão. Segundo ele, a redução do ritmo foi para se poupar para o mundial. Muito sensato por parte do jovem e talentoso sub-23. Neste momento, estava no meio do percurso. Em alguns pontos o vento estava um pouco forte e pensei por dois segundos o que fazer... Arrisquei e segui sozinho. Atrás vinha um grupo grande, mas estava realmente inspirado e só fui aumentando a diferença. No ponto de apoio passei com uma margem boa, com mais de 2 minutos na frente do grupo. Era só manter o ritmo, o que aparentemente não seria um problema. 

Ai aconteceu o que poderia ter mudado minha prova. No meio do percurso juntamos com as categorias do percurso reduzido. A prova conta com 1.500 atletas,sendo um bom número no percurso reduzido e isso significa que tenho que passar, muita, mas muita gente mesmo. Eu acho legal e estimula bastante. A maioria dos amadores também curte estar ao mesmo tempo na trilha com os atletas de elite, mas em alguns trechos a diferença de velocidade é muito grande o que gera um grande risco para nós e para os amadores. Em uma das muitas ultrapassagens, fui passar um jovem por fora do trilho e acho que ele tentou abrir pra mim e acabou desviando em cima de mim, no momento da ultrapassagem. Como eu estava muito mais rápido, literalmente atropelei o rapaz e fomos os dois pro chão. Minha gancheira de câmbio entortou e travou em um raio. Demorei muito até conseguir soltar, e a gancheira ficou bem torta. O guidão também entortou e acabei me estressando muito com o batedor que insistia em seguir atrás de mim e não na frente alertando os amadores e abrindo o caminho. (Aproveito para pedir desculpas ao rapaz (Fair Play) , caso tenha sofrido algum dano físico ou material com a queda). 

Com esse contratempo, segui em um ritmo mais tranqüilo, pois as marchas estavam pulando bastante e não queria arriscar uma quebra de corrente. No final fui olhando para trás e controlando para ver se o grupo se aproximava, mas mantive a liderança e venci a prova sozinho. Para completar o dia ainda assumi a liderança da Copa Internacional e bati o recorde do percurso de Congonhas. 

No dia que parecia que uma monte de coisa ia dar errado acabou tudo dando muito certo!

Agora vamos pro Mundial 2013 e mantendo a postura: pra cima deles!