sexta-feira, 25 de outubro de 2013

EDIÇÃO EXTRA DA BRASIL RIDE: Henrique Avancini e Sherman Paiva vão para cima dos gringos na última etapa

Depois de sofrem quedas, que gerou problemas nas bikes, Henrique Avancini e Sherman Paiva (Caloi Racing Team), na raça, continuam com a camisa amarela de líderes na geral, isso entre todas as categorias da BRASIL RIDE 2013, e vão pra cima dos gringos neste sábado, último dia deste fantástica ultramaratona  de Mountain Bike.


"Hoje foi sofrido...Etapa de 143km, mas sem muitas trilhas. Largamos com a camisa amarela de líderes. A largada foi as 6:00, com o sol ainda baixo. Antes da 6ª etapa começar a sensação física era boa. E quando largamos, ambos giravam bem...Ai começou a história.

Com 2 km de prova, o sol estava baixo e frontal, catei uma pedra e tomei um tombo besta. Um atleta veio e deu uma pancada com a roda no me...u tórax. Cortei o joelho direito e incomodou bastante durante todo o dia.Quando levantei e peguei minha bicicleta, outro atleta veio e bateu no meu câmbio, empenando a gancheira. Subi na bike e voltei para a ponta do pelotão. Mais a frente, dei uma esticada sozinho na frente e parei para desentortar a gancheira com a mão. As marchas não ficaram boas, mas pelo menos não tinha risco de cair para dentro dos raios e quebrar o câmbio traseiro. Seguimos com o pelotão ainda grande, até o km 7 onde começaria a primeira subida realmente dura e longa. No pé da subida, aconteceu uma coisa inacreditável. 

Eu seguia no pelotão e o Sherman estava na minha roda. Estávamos beirando uma cerca, e em um ponto uma parte do arame farpado estava arrebentado. Não dava para ver por que era um trecho com muita poeira e o arame entrou- não sei como- entre os raios e o cassete da roda traseira dando uma volta no cacete e travando com as farpas. Foi como laçar um bezerro pelas patas. Voei por cima do guidão e o Sherman por cima de mim. Nesta hora machuquei forte o cotovelo, bati novamente forte com o tórax. Quando levantei, é que vimos o problema: O arame não saia de jeito nenhum e perdemos pouco mais de 6 minutos tentando soltar. Quando voltamos pra prova, perdemos o pelotão na pior etapa que isso poderia acontecer, pois esta foi a etapa onde andar em pelotão faria a maior diferença. Depois do tombo eu respirava mal, não conseguia descer rápido com dor no braço e com isso mal conseguia revezar com o Sherman para recuperar o prejuízo. Ele ditou o ritmo e fomos pegando as equipes na frente. 

Por volta do km 85 comecei a me sentir um pouco melhor e então comecei a puxar mais. Chegamos num grupo grande com 4 duplas, mas bem em um ponto duro e então nem aproveitamos muito o pelotão. Seguimos como dava na etapa que foi absurdamente quente. Os últimos 30km eram planos e com muito vento e areia. Duas duplas seguiam na frente(Sauser /Yamamoto e Maletz /Christian) e os espanhóis da Inverse, que eram a primeira dupla que tiraria nossa camisa amarela, seguia sozinha. No final cruzamos a linha de chegada na quarta colocação. Até agora, todos que vestiram a camisa amarela tiveram problemas(físicos ou mecânicos) e a perderam. Hoje foi frustrante, porque o que aconteceu conosco no segundo tombo não foi um problema mecânico, que pode ser ocasionado por erro, e nem um problema físico, como passar mal ou cãibras, como aconteceu com outros líderes. Estávamos bem fisicamente e o que aconteceu foi uma fatalidade. Hoje foi mais difícil pra cabeça do que pras pernas. 


No final recebemos a notícia de que mantivemos a camisa amarela com uma pequena diferença e amanhã largamos para a última etapa de amarelo.

Só queríamos participar do Brasil Ride. Curtir com a galera, pilotar nas trilhas, fazer força quando desse, mas sem ir ao limite... Muita coisa aconteceu e acabamos na liderança. 

Até aqui nos controlamos na prova, mas amanha será diferente. Vamos pra cima com tudo que tivermos, com pouca ou muita dor, pois agora queremos dar essa vitória pro MTB brasileiro. 

Estamos contando com a torcida." - conclui Henrique Avancini.