terça-feira, 29 de abril de 2014

Entrevista com Nino Schurter: "Poder Mental é Rei"

Nino Schurter (SCOTT-Odlo MTB Racing Team) e o seu parceiro Phil Buys proporcionaram o cenário perfeito: o final de uma das provas mais importantes do calendário nacional, o Campeão do Mundo e o seu companheiro sul-africano, escoltaram Matthys Beukes e Gert Heyns (SCOTT Factory Racing) à sua primeira vitória na última etapa do ABSA Cape Epic. Quatro riders SCOTT, três deles sul-africanos, deram ao seu público e ao "Tour de France do Mountain Bike", um emocionante numa multidão espetacular. Falamos com o atleta suiço, Nino Schurter, sobre como foi a experiência desta semana incrível e memorável.
     Uma semana de impressões épicas - qual foi a sua melhor experiência?
      A nossa vitória na etapa final foi um verdadeiro destaque para mim - diferente, mas definitivamente carregada de emoção. Acompanhar e puxar os meus parceiros nesta que é chamada "Champs Elysée do MTB" foi um momento forte e uma experiência de vida. A multidão foi incrível e a semana toda foi uma verdadeira aventura. A melhor experiência para mim acaba por ser uma que deveria ser sentida mais vezes pelos atletas de MTB. Nunca desistir, acreditar em si mesmo - no final recebemos a recompensa. O nosso sucesso é o exemplo perfeito disso.
     …e a pior?
     Meu parceiro sofreu bastante em alguns momentos - Tive de empurrar muito ele nas primeiras etapas. Mas todos experienciamos altos e baixos durante uma prova tão dura como esta. Sempre tem a parte fraca de uma equipe de dois, precisamos ter uma base mental muito sólida e saber aceitar algumas derrotas. Podia ter andado mais depressa... ou não. É algo que tem de aprender a aceitar.
     Quais foram os teus momentos-chave nesta corrida?
     
Tive vários momentos que me lembro, mas um em especial. Depois de uma grande descida em singletrack na etapa 3, conseguimos abrir uma liderança, adicionando 2 minutos. Percebemos que a nossa capacidade técnica era melhor que a maioria dos nossos adversários. O Phil é um piloto muito técnico, o que nos ajudou a garantir vários metros de distância durante toda a prova. Um bom nível técnico em certas situações da corrida a nos ajuda a evitar pequenos problemas, como furos ou problemas mecânicos graves. Não tivemos nenhum problema e as nossas Spark 700 portaram-se à altura. Eu não poderia imaginar melhores bikes full suspension para usar nesta prova. Com isso em mente só foi necessário manter um bom nível de concentração e uma grande capacidade de acreditar em nós mesmos, para melhorarmos a cada dia que passava, acabamos por dominar as últimas etapas.
     Que lições pode extrair um Campeão do Mundo de uma prova destas?
     Nunca desistir. Há sempre luz ao fundo do túnel. O Cape Epic é uma prova incrivelmente longa. Tudo pode acontecer e certamente acontece. Se não tivéssemos problemas de freios na etapa 2, teríamos terminado no pódio com certeza. Mas é a força mental que nos fez  ganhar no final. Foi o que aprendi durante essa prova e que vou levar as minhas corridas futuras.
     Quais são os benefícios de ter uma excelente relação com o parceiro?
     O Phi colocou em cima de si muita pressão, especialmente no início. Como não cumpriu suas expectativas nos estágios iniciais, ele ficou para baixo um pouco. Mas ele é um atleta fenomenal, e rapidamente recuperou e aguentou a pressão, sentimos que tudo seria possível. Você tem que ter preparo físico, com certeza, mas sem dúvida, o poder mental é rei. Nenhuma outra corrida comprova esta máxima do que o Cape Epic. Assim que a dupla percebe isso se torna imparável.
     O que te surpreendeu mais na semana que passou na África do Sul?
     
A partir da etapa 4 em diante foram ganhas por bicicletas com roda aro 27,5" - o que foi interessante de ver. Antes, as 29" dominavam um pouco por todo o lado as provas por etapas. Mas atualmente, os dois tamanhos de roda têm iguais chances, especialmente quando o terreno é mais misto, ou seja, quando existem mais singletracks e zonas mais íngremes.
     Corrida por etapas vs prova de XCO: como vais mudar para o modo "XCO" agora?
     Não senti que andei no limite na semana do Cape Epic, o que é muito bom! Mas vai ser um desafio mudar do treino longo e de baixa pressão, para o oposto. Depois de 3 dias de folga, vou treinar pequenos intervalos e sprints para ficar pronto para a Taça do Mundo #1 em Pietermaritzburg.