segunda-feira, 14 de abril de 2014

Henrique Avancini vive dia de cão durante a Copa do Mundo


A Copa do Mundo começou e mais uma vez passei pelos imprevistos que fazem parte do MTB olímpico. 

Estava me sentindo bem fisicamente e pilotando muito bem na pista. Larguei na melhor posição de grid da minha carreira, como 15° do ranking UCI, o que me dava um lugar na segunda fila. 

Na largada errei o encaixe do pé e larguei mal nos primeiros metros como não largava há muito tempo. Mas logo depois consegui sair um pouco do "bolo" pela lateral e dar uma arrancada. Quando consigo dar uma resposta rápida assim, sei que as pernas estão muito boas. Afinal não estou passando qualquer um...Entrei no primeiro single-track em 13°, atrás do Absalon. Estava bem encaixado no ritmo e não estava sofrendo além do controlável. Fiquei mais ou menos nessa posição, dentro dos top 15, até furar o pneu traseiro pouco depois do meio da primeira volta. Pra quem assistiu a prova pela Red Bull, eu furei na mesma sessão que o Nino, só que um pouco antes. Mas furar na primeira volta em uma Copa do Mundo, é o pior momento possível. Como os atletas ainda estão muito juntos, não dá pra continuar andando e segurando todo mundo. Na verdade o atleta não é obrigado a encostar por estar andando furado, mas é o certo a ser feito do ponto de vista ético. Não tem porque atrapalhar a prova de quem está em condições normais...
Assim, pedalei muito tempo furado e ainda perdi mais tempo do que o normal, porque ficava encostando para ser ultrapassado, já que esta parte final o circuito era predominantemente em single-track. Cheguei no ponto de apoio e troquei a roda e segui para aproveitar o dia para treinar em um circuito top. Mas estava girando bem e fui ganhando posições até ficar próximo da zona de pontuação, ai comecei a acelerar mais, até que cai em uma sessão não muito complicada. Di um pouco de azar. A frente só escorregou um pouco, o que era normal já que o circuito estava muito empoeirado, mas foi bem em uma pontezinha de madeira e acabei caindo do alto. Bati forte com o tórax, dando aquela travada na respiração por alguns segundos, e bati ombro e ficando sem muito apoio para segurar o guidão. Fui atendido rápido, subi na bike e segui mais devagar até a zona de corte dos 80%. Nestas condições continuar na pista não seria proveitoso nem como treinamento e seria arriscar uma queda mais grave. 

Uma pena, mas faz parte. 

Fiquei satisfeito de chegar em boas condições físicas. Nesta temporada já competi 7 provas UCI (somando 14 dias de competição), e isso tudo desde o começo de fevereiro, apenas com dois finais de semana de intervalo. Como este ano planejamos um calendário bem mais pesado, foi importante fechar este ciclo de competições, bem fisicamente. Em termos de resultado a temporada tem sido ótima, com 4 vitórias e sempre desempenhando bem, apenas com resultados “ruins” nas duas últimas competições, onde tive problemas mecânicos.

Dentro dos meus planos, essa é a última temporada que tenho para acertar os erros de preparação e planejamento, aprender, evoluir com mais folga e arriscar um pouco mais.

Hoje foi realmente frustrante por furar me sentindo bem e sendo tão no começo da prova. Assim não pude perceber o que eu realmente seria capaz de fazer.

Agora terei alguns dias regenerativos e pretendo voltar a uma forma mais afinada no segundo semestre.

Obrigado pela torcida de todos.

Vamos em frente...