terça-feira, 8 de março de 2016

Nem todos os Caminhos te levam a Compostela! = VIA FRANCÍGENA

Não há como negar: todo aquele que entra no mundo do cicloturismo e, principalmente, nos Caminhos de Peregrinação, vai desejar percorrer de bicicleta, com alforjes e tudo, o Caminho Francês rumo a Santiago de Compostela, na Espanha.

Digo isso por meu próprio exemplo, eu Professor Arnaldo Farias, hoje bem conhecido no meio, por participar avidamente de competições de mountain bike a quase duas décadas pelo Brasil afora, ainda encontro tempo para regularmente, sozinho ou com amigos, participar de cicloviagens, sempre com uma nova aventura por fazer a cada trimestre.

Assim, comecei no ano de 2003 a pedalar pelo Caminho do Sol, da Fé, da Luz, dos Anjos, todos eles por mais de uma vez, porque as emoções e descargas de adrenalina nestas pedaladas tem que ser repetidas, não é mesmo?

Como se não bastasse, fui conhecendo de bike, circuitos de Ciclcoturismo como o Vale Europeu, Costa Verde&Mar e Araucária, sendo os dois últimos em companhia dos queridos amigos Cláudia Franco e Marcello Ruivo, ambos da CicloFemini -Escola de Bicicletas, cujas aventuras estão sendo retratadas na Revista Bicicleta.

As lembranças são boas, mas este texto tem como objetivo retratar minhas experiências em buscar Santiago de Compostela como sonho dourado, que creio ser o desejo de 9 em cada 10 ciclistas, que começam a vivenciar viagens a bordo de nossa amada magrela. Então, passados mais de uma década de ciclo aventuras, não só concretizei o sonho de muitos em partir de bike de Saint Jean Pied de Port, na França, o mais místico ponto de partida do Caminho Francês rumo a Compostela, como o fiz sozinho, apesar de viajar sem alforjes, já que um familiar transportava minhas tralhas a cada ponto de continuidade a cada dia, isso em julho de 2013.

Não satisfeito, ano seguinte, com o Gilmar Duarte, amigo de longa data, na mesma época do ano, partimos de Sevilha, passamos por Santiago de Compostela e chegamos a Finisterre, ponto final deste que é considerado por muitos o verdadeiro fim do Caminho.

Ainda na neura, no ano passado, em julho de 2014, decidi percorrer de novo e sozinho, desta vez o Caminho Português, sendo que, Lisboa foi o ponto de partida escolhido, por ser a mais distante cidade, com uma boa marcação do percurso. Digo isso, porque a cada quilômetro, há setas amarelas, placas e totens, que permite o ciclista viajar de forma autônoma e de quebra, comer muito bacalhau, bem como tomar vinho verde a vontade, uma delícia, sem contar a fantástica hospitalidade portuguesa, com certeza.

Claro que os “bikes compostelanos” sabem que se chega a Compostela, iniciando a pedalada por várias cidades da Espanha ou mesmo da Europa Ocidental e Oriental, entre outros locais, com distâncias e cenários para ninguém botar defeito, roteiros estes, para todos os gostos e bolsos.

Então, por que nem todos os Caminhos te levam a Compostela?

Ao bem da verdade, nem eu sabia, mas em meados de setembro do ano passado ao participar do Velotour, uma cicloviagem de Bolonha a Florença, promovida pelo Clube de Cicloturismo do Brasil, ocasião em que além de aproveitar para estudar italiano em Florença, tive a oportunidade de estar passeando de bike por San Gemignano, com meu amigo Walter Magalhães eacabei por tomar conhecimento, que existia mais um Caminho de Peregrinação: a “Via Francígena”.

Para encurtar a história se denomina “Via Francígena”, rota de peregrinação de grande distância entre a cidade inglesa de Canterbury e Roma Na Itália. Esta é a rota mais conhecida dentre as que atravessavam a Europa a caminho do túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo, desde que o cristianismo se converteu em religião oficial do Império Romano.
São mais de 1.600 quilômetros, saindo da Inglaterra, passando pelo sul da França e Suíça e entrando em solo italiano pelo norte, precisamente em “Col San Bernardo”, região famosa por seus chocolates e aquele enorme e bonachão cachorro com um barril no pescoço.

Sendo assim, neste mês de junho, mesmo com o Euro nas alturas, vou me dar ao direito de não ir a Santiago Compostela, por um de seus múltiplos Caminhos, mas sim à “Via Francígena”, cruzando os Alpes Suíços e vivenciando novas culturas, cenários e paladares, já que nesses Caminhos a gastronomia regional é única, ocasião que podemos comer e beber muito sem complexo de culpa, além de aproveitar para dar a conhecer aos amigos cicloviajantes os segredos e as belezas de um Caminho certamente ainda pouco explorado pelos ciclistas brasileiros.

Por ser Professor de Espanhol, confesso que sinto uma pontinha receio em pedalar sozinho, pois meu italiano é muito básico. No entanto, dizem que “quem tem boca vai a Roma”, eu já comprei as passagens, entrei em contato com o primeiro albergue em Col San Bernardo na Suíça, meu local de partida, dado aos recursos que disponho. Também reuni as poucas informações em espanhol que consegui e me considero quase pronto para partir, mas essa nova cicloviagem é “pano pra manga” para outros artigos. Quem viver verá!

Bora pedalar!