sábado, 7 de outubro de 2017

Os Caminhos a Santiago de Compostela estão acima do bem o do mal

"Muitos servem ao Caminho e poucos se servem do Caminho."
Professor Arnaldo Farias


O Professor Arnaldo Farias, editor chefe do Portal "Nóis na Fita A TV", após concluir de bike pela sexta vez um dos vários Caminhos que chegam ou passam pelo místico Caminho de Santiago de Compostela, em primeira pessoa, faz uma reflexão dessas vivencias com o intuito de tão somente compartir suas experiências vividas com imensa intensidade desde 2013.


"Depois de haver participado de mais de 500 competições de Mountain Bike e mais de uma centena de cicloviagens pelo Brasil afora, em julho de 2013, sozinho e de bicicleta conclui os 810 Km do Caminho Francês em 11 etapas desde Saint Pied de Port na França, atravessando os Pirineus chegando a Santiago de Compostela com o apoio de um familiar que levava minhas bagagens.


Como Blogueiro que sou, aproveitei para entrevistar e ouvir centenas de pessoas pelo Caminho sobre os porquês da estar fazendo a pé ou de bike o mais místicos do Caminhos e cada um deles tinha um motivo pessoal, mesmo que estivessem em grupo, razão pela qual eu acredito que cada resposta é valida, pois o Caminho aceita todas as posições sem distinção de qualquer espécie.


No entanto, depois nos dois anos seguintes, em que concluí o Caminho Via de La Plata desde Sevilha a Finisterre por 1.350 Km e  o Português em julho de 2015 desde Lisboa, por uns 680 Km, fiquei com a impressão de que muitos servem aos Caminhos e poucos se servem dos Caminhos. Digo isso, porque em algumas ocasiões observei empresas, hospedeiros, restaurantes e ou pessoas, de uma maneira ou de outra, explorando o peregrino a pé ou de bicicleta na maior cara de pau, e confesso que tais situações me deixaram chateado, pois não é essa a vocação milenária dos Caminhos.

Finalmente, neste ano de 2017, vivenciando a experiência como colaborador e Guia de Mountain Bike pelo Caminho Francês, Caminho da Costa no norte da Espanha e o Caminho Português, pedalando e acompanhando bikegrinos por milhares de quilômetros, pude observar e entender melhor o que está por detrás de cada sonho, de cada desejo acalentado individualmente ou em grupo. Então, fica a sensação de que sequer se deve comparar, mas respeitar e deixar a cada pessoa o direito de levar para si suas próprias emoções e reflexões daquilo que os Caminhos deixaram como legado para o futuro de cada um. 

Enfim, é no coração de cada um dos peregrinos, onde está o verdadeiro espírito dos Caminhos, até porque cada um traz consigo sonhos e esperanças antes. Depois de concluído qualquer um deles, seja na Espanha ou em outra parte do mundo, todo ser humano tem a sua própria resposta aos seus anseios e não cabe aqui dizer qual o mais acertado, pois creio que nestes casos,não há o certo nem o  errado, pois os Caminhos estão acima do bem ou do mal.